sábado, 29 de novembro de 2014

Hypotermia e Calor humano

O inverno antecipado de Nova Iorque este ano, me pega desprivinido. Regulamentado, como diriam os pilotos. Estava cansado de um longo dia de vento e frio congelantes, a bordo do Cruiseboat no rio Hudson, que rendeu muitas imagens e uma excelente experiência sino-japonesa, o sushi restaurant Nanatori, em Williamsburgh. Dia lindo, cujo resultado videofotografico vocês podem ver no meu novo filminho "The Selfish Photoman" no Youtube.
Ainda passei na B&H, mais uma vez, para trocar a lente que acabava de testar no passeio e rever os amigos Hugo, Crys, Mendi, e outros tantos que nem dá pra lembrar.
Voltei para o hotel e tomei um banho quente. Parti para Heartland Brewery, a pé, a três quadras do hotel. Encontrei Sergei, produtor de cinema, meu partner e de lá tomamos umas e um taxi para uma rapida reunião na Madison avenue.
Após um dia corrido, o jantar na casa de uma grande e querida amiga, no West End, era mais que benvindo. Minha amiga tem um tremendo paladar e conhece os segredos do take away de NYC, alem dos melhores restaurantes da city, além de um incrível senso de humor judaico local. Lá pelas tantas, o cansaço bateu e gentilmente tomei o rumo do hotel, pretendendo dar uma breve caminhada Broadway abaixo, com minha Nikonzinha de filme 35mm, oportunidade imperdível. Mas o frio me impediu. Abaixo de 15 graus, parado na rua, você pode congelar.
Ou entrava em algum lugar ou tentava um taxi. Foi na esquina, quando parei para pegar um taxi, o que demorou aproximadamente toda uma eternidade. Muitos taxis, mas nenhum parava. Quando comecei a tremer, parou um carro. não dava nem pra achar a maçaneta. Consegui abrir a porta e e joguei para dentro. Já estava na fase pre-hypotermica, tremendo e com os dentes mal conseguia falar.
O taxista percebeu na hora, e isso deve ser parte do cotidiano de pegar passageiros, pinguins e outros coitados como eu. Aumenta essa porra da calefação, pelo amor de deus, aqui atrás tá toda...gritei. Muita calma, disse ele, com forte sotaque nigeriano, arrancando e aumentando a calefação. Ele só nao me deu um abraço, quando percebeu meu sotaque brasileiro, porque estava no banco da frente. Ainda bem. Salvo pelo calor humano africano, no inverno antecipado.
Na discussão que se seguiu ate o hotel, sobre futebol, perdi. Sobre política, sem a menor humildade,  o cara me disse: Lula é simpatico para o eleitor por que vem de um background humilde. Não esta comprometido com as elites. Mas foi corrompido, e citou o enriquecimento familiar dos herdeiros. Mas o melhor presidente foi FHC, afirmou. Enquanto ouvia o discurso animado do entusiasmado piloto, fui passando o cartão de plástico na maquininha que tem um display LED,  e quando o taxi para, aparecem as instruções de como efetuar o pagamento.
Nada como viver num pais moderno, mesmo congelando. Muito obrigado, disse em português, ao perceber o valor da gorjeta. Me salvou do frio, e da falsa impressão que mantinha sobre a famosa  ignorância americana em relação a países sulamericanos. Y viva el Mercosur!

Lula Grelhada com Arroz da Tinta