segunda-feira, 18 de abril de 2011

Uma oportunidade coletiva anual

O ser humano precisa de exemplos para poder meditar sobre seus conflitos interiores e como ele se insere dentro da vida social. Precisa de um texto guia para suas atitudes e compreender o outro, o diferente. Muitas vezes apenas inteligência emocional é insuficiente, precisamos atribuir tudo a algo externo que nos faz agir, pensar e comportar, um deus, por exemplo. Precisamos da noçao de certo ou errado. Isso vai desde saber como tratar certos problemas até como reagir em casos extremos, como sair de um problema que nos sufoca. Sair da opressão, dentro de nossas células sociais: família, escola, amigos, trabalho, sociedade. Acreditar que um povo se formou no Egito, era escravo do faraó, que os obrigava a construir enormes pirâmides, pode parecer coisa de filme. Quem assiste o Canal Discovery sabe muito bem que existem evidencias sobre os hebreus nas escavações de inúmeros sítios. Sabe-se que os hebreus existiam e costumavam escrever em escrita cuneiforme, esta não encontrada nos sítios arqueológicos, a não ser uma descrição encontrada na tumba de Ramsés III, onde os hebreus aparecem vindo com seu burrinho, e os rolos de pergaminho. O que se sabe ao certo, eles escreviam, e podem ter inventado a maravilhosa epopéia do Êxodo e seu libertador.
Escrevemos uma lenda para justificar uma situação narrada na Tora, a falta de modos, apatia, desconfiança, dentro do mesmo povo. Fica sempre fácil atribuir a alguém certo grau de divindade, apenas por sua postura e nível de articulação. Bem provável, Moises era um príncipe egípcio, depois foi rei na terra dos beduínos e quando fala com a sarça, já tinha seus 70 e tal, portanto poderia ter algum problema de audição, e era gago…quando ficava irritado gritava, e D'us não gosta que gritem com seu povo. Por essa razão, Moises autor da obra e nosso maior profeta, foi castigado e não entrou na Terra Prometida. Você entrou, ele não…pense nisto nesta noite. Se o que foi escrito aconteceu ou não, apenas mero detalhe. O importante não esta em sentar e se refastelar, comer pão ázimo e beber vinho, comer o korban, isso você pode fazer em Pesach Sheni. Esta escrito no Talmud, todos os mandamentos serão cancelados no futuro. Mas a lei em vigor será rígida como Beit Shamai, que dizia: receba a todos com uma cara bonita!
O mais importante nesta noite: algo passou sobre o Egito. E erradamente nos alegramos pelas pragas e pelos egípcios afogados na travessia do mar, quando a própria Tora enfatiza que nunca
devemos nos alegrar pela desgraça de nossos inimigos. Esta noite deveria ser o momento de sair definitivamente de nossa escravidão interior, de nossos empregos e da rotina de nossas obsessões por mais poder material, todos as causas que nos deixam inertes diante de tudo o que acontece de importante no mundo. Tudo parece longe. Até o momento que nos atinge diretamente, como os mísseis atirados diariamente de Gaza.
Pesach, na realidade nada mais é do que uma oportunidade que se renova a todo ano, uma chance de recomeçar para todo o Povo de Israel e voltar a ser um exemplo para o mundo.

Lula Grelhada com Arroz da Tinta