terça-feira, 18 de maio de 2010

Shavuot: A Entrega Renovada

B'SD

 A época de renovar.
Véspera de Shavuot, Chag Matan Torah, 5770, ano de Hakel, tempo de reunir o povo. Parece ser  uma boa hora para se repensar  rumos e reafirmar o compromisso com a segurança dos judeus do mundo, especialmente aqueles que se encontram em países governados por tiranos e em regimes totalitários, ou com lideres que simpatizam com governos opressores. Queria aproveitar, para esclarecer publicamente que o judaismo nao é apenas mais uma religião, e sim um conjunto de ideias, moral, de caminho de vida.  Regras de conduta material e  espiritual, a essencia e a base de todas as religioes modernas. A Tora é de todos,  é o significado simples de Shavuot, na Entrega da Torá, os Dez Mandamentos!
                   Essa entrega não foi apenas aquela vez no Sinai. Tornar-se um receptor continua sendo uma busca constante a cada dia. De modo que aquele que aceita a Tora e seus Mandamentos, passa a ser parte do povo como uma letra desse livro. E se uma letra falta ou esta meio apagada, todo o livro esta comprometido. Ninguem é mais importante que o outro na Tora: um estudioso que conhece a Mishna, Talmud, e os misterios da Cabala, e o outro judeu que conhece apenas algumas das letras. O judeu simples, o Povo da Terra, consegue ter um comportamento ética e moralmente superior, em relação a todos os assuntos dos seres humanos, que estudiosos que se isolam do mundo real. Sempre fomos um povo amante e temente a D'us. Não estaríamos habitando hoje a Terra Prometida, nao houvesse a necessidade de reunir o povo, para recriar o judeu. O povo muito bem sucedido apesar de viver na Diaspora, apesar da destruição e do Holocausto, após a Shoa, se transformou numa verdadeira mini-potência do século XXI.
                 Com a  segurança obtida pelo sucesso do Estado de Israel, o judeu agora é um ser moderno como os outros, pode andar e viver livremente onde quiser. Exceto nos paises arabes e ditaduras anti-ocidentais, o judeu se iguala ao  israelense, como nos territorios inimigos…O israelense ou judeu que tenha carimbo de Israel no passaporte nao entra. Mesmo assim, Israel permite a entrada de cidadãos de quaisquer paises arabes ou inimigos, inclusive os proprios terroristas palestinos podem entrar, desde que devidamente identificados. O que houve com Chomsky é triste, para ele como judeu, mas  não chega a ser uma norma de conduta, apesar da postura nitidamente anti-israeli dele, com certeza ele deve ter familia que vive em Israel…e  seus livros são publicados em hebraico.
                  Apesar da enorme assimilação no seculo passado, o movimento sionista conseguiu ao mesmo tempo fortalecer as comunidades, organizando, capacitando atraves do envio de professores para os paises e recebendo alunos de todas as cominidades  na Diaspora. Assim conseguiu  levar milhões de imigrantes, e estudantes, residentes temporários. Graças a essa mesma assimilação nos paises de origem, temos hoje um pais muito mais moderno e  pluralista. Aberto aos judeus que quiserem residir, mesmo que por um tempo, com direito a voto.  Abrigando refugiados e tornando-os cidadãos. Mesmo sabendo que muitas leis ditadas pela Torah, numa sociedade onde existem outros povos, pode tornar a vida de alguns complicada, a maioria aceita até mesmo sabendo quando esta sendo discriminado. Esse mesmo sistema, privilegia aqueles que mesmo sem servir, ensinam um curriculo incompativel com as normas educacionais basicas,  e ainda  recebem mais beneficios, por questoes politicas internas.
                  Levamos a Torah de volta a Zion. Voltamos para misturar a cultura judaica, expressão de uma fé milenar, com os povos da região, renovando e reafirmando os laços com nossa Terra. Mas nao se pode triturar a Torah e dilui-la na política, usando a Lei para justificar fronteiras e brutalidade, tornando o próprio povo em Israel e fora dele, um  alvo odio e de possíveis ataques.
A sociedade israelense precisa ouvir a voz de todo seu povo, pacifistas, Haredim, direitistas, todos enfim. Onde quer que eles estejam.
                   Mas antes de pensarmos em Israel e como seria bom se Golda Meir Z"L estivesse por aqui, precisa haver uma maior e melhor  compreensão:  a paz com os povos da região somente sera possível, se existir paz dentro e entre nosso próprio povo. E se aprendermos a aceitar cada um de nós como ele é, os que podem estudar e trabalhar para ensinar e divulgar  a Torah, os que precisam servir e pegar em armas, em caso de segurança, tudo isso com equilíbrio, com justiça. Claro que seria muito melhor se ninguém precisasse usar uma arma, mas o mundo ainda precisa de armas, por alguma razão.
                  Os judeus do mundo civilizado, podem e devem ensinar seus irmaos com sua experiência de convivência pacifica com outras povos de outras nações, mas acredito que podem fazer mais do que ficar criticando a política do atual governo e assinando petições. A Europa pretende mediar alguma coisa, no meio de uma creise economica que corroi o continente, os judeus da rua na America, e os inumeros simpatizantes evangelicos que são a mais importante força estrategica, tambem acabam de superar uma tremenda crise e Obama ainda não disse ao que veio…e ainda complica Israel, bancando uma guerra contra armas de destruicao que nunca existiram, com o intuito de se apropriar das riquezas petroliferas da região, ou com o pretexto de derrubar ditaduras sanguinolentas. Um ditador mata, mas uma guerra mata e destroi. As ditaduras não se derrubam pela força, elas caem naturalmente…
                 Talvez aumentando significativamente a Aliyah, fizessemos todos a grande contribuição. Mas infelizmente, nem sempre querer é poder, especialmente nos dias de hoje, quando as dificuldades são muitas e muitos judeus e seus descendentes desconhecem os programas de intercambio e a possibilidade de imigrar. Creio que o  exemplo verdadeiro, vem dos judeus de paises como Iran, Yemen, Cuba, Venezulela,  inclusive  Brasil, cujos governos atuais  simpatizam com inimigos de Israel e são parte integrante do "eixo do terror".
                Poderiamos através das dificuldades na convivência, aplicando soluções encontradas em comunidades como a nossa no Brasil, no sentido de aumentar o intercambio com acoes de ongs nas comunidades arabes, talvez começar a mudar a mentalidade judaica mundial com relação as intenções e obrigações do povo judeu em seu regresso ao Lar. Gostaria de poder viver num mundo melhor, sem governos e sem estados. Mas não posso imaginar um mundo sem eles, nos dias de hoje. E já que assim vivemos, temos a obrigacão de participar.  Através de todos os meios virtuais e fisicos, movimentos, associações, independente de qualquer outra coisa, neste momento, militar, agir, tentar  influenciar em nossos países e em Israel, para mudar essa tendência beligerante, a favor de uma paz e de convivência pacifica, ainda neste ano.
               Afinal, independente de que time a gente torce, que religião segue, somos todos parte de uma mesma Terra e ansiamos pela Paz!
Contamos os 49 dias até Shavuot,  do Egito onde fomos escravos, no deserto nos refinamos para uma ter perspectiva de vida melhor.
Chag Sameach, por uma Torá de tolerancia, novamente recebida e renovada para todos.

               Sergio Nedal Riss
                aka Zcharia Halevy

Lula Grelhada com Arroz da Tinta