quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O milagre de Purim pode se repetir, basta a gente querer...


A festa de Purim, no mês de Adar, foi levada para Roma pelos judeus exilados, o que deu inicio a tradição em Roma que depois influenciou o Carnavale. Provavelmente a versão criada pela igreja foi adaptada de uma festa pagã, onde se permite a carne, antes de se proibir a ingestão de carne no mês que antecede a Páscoa. Para desmoralizar os que ainda eram judeus, os romanos cristãos, agora diferentes dos seus irmãos judeus, passaram a usar mascaras e exibir uma nudez constrangedora para os que ainda seguiam a Torah. Purim, a festa, se baseia num texto alegórico, mas pode ter documentado um massacre de muitas famílias persas, ligadas a Aman, o perverso. Parece que os iranianos nunca nos perdoaram por conta da época.
O judaísmo estuda e se baseia em suas tradições orais, que foram sendo escritas: um antigo habito, o escriba senta e escreve casos e historias, discussões entre sábios, dai alguns textos escritos em épocas diferentes que parecem fabulas. Na realidade parecem relatos, alguns que podem ter acontecido, modificados através da transmissão oral, outros servem como exemplo de um determinado comportamento. Códigos complexos de letras hebraicas, as 22 letras que criaram o mundo, como esta escrito no Livro da Criação, atribuído a Abraão, o Patriarca. Com 22 letras o mundo foi criado: com a Narração, depois o Conto escrito e o Livro. Ou seja, no início era apenas o verbo. Um espirito que se torna materia quando escrito.
Assim, por mais incrível que pareça, temos paralelos entre o Shir Hashirim,  Cântico dos Cânticos, e a Meguilat, ou  Rolo de Ester. No primeiro livro, atribuído ao rei Salomão, e provavelmente escrito por ele, fica claro assim como em Kohelet, que são livros de mística, Ética e moral, cujos conceitos usamos no mundo de hoje. Como uma rosa entre os cravos, assim é a comunidade de Israel, diz o Zohar sobre essa frase do rei Salomão, nesse poema. Explicam os sábios: o amante, Hashem, D'us, e sua noiva, o povo judeu.
A mesma idéia esta em Purim, um manuscrito cujo relato é bem mais preciso, datado, a cidade e seus personagens são tão reais, que arriscaria comparar Aman a Ahminajad, Ester a Hillary Clinton e o rei ao Aiatolá Khamenei, num cenário medieval...
Nesse texto, não tem o nome de Criador escrito, mas é considerado como texto sagrado. O conceito é similar ao do Cântico, mas do ponto de vista do exílio na Persia. A noiva, Ester, escolhida entre tantas outras, a predileta do rei, se entrega a esse Achashverosh, assim chamado de o Sábio Cabeça, para garantir a sobrevivência de seu povo. Ester, vem da palavra nistar, mistério. O ódio e o amor são sentimentos que coexistem em todo a natureza, são indivisíveis, apenas podem ser controlados. Amamos e odiamos apenas aqueles que são próximos a nós. Não existiria o ódio se não existirem fronteiras, da mesma forma não existe amor se houver uma barreira. Por mais fina que seja, se nos olhamos como outros povos e somos os mesmos. Apenas, Esau e Yaakov, almas conflitantes dentro do mesmo ventre.
O verdadeiro milagre de Purim, seria uma mudança misteriosa nos corações humanos, pedindo para acabar com as barreiras e coexistir numa paz duradoura no mundo, para todos os seres. Se o Aiatolá nos ouvisse cantar...pediria para fazer a PAZ com Israel.
Neste Shabat, ou em outro dia da semana de Purim, escute a leitura da Meguila, se alegre, beba e aumente sua voz!! Cante e grite e não pense, mesmo depois de terminado o Carnaval, deixe seu coração te levar!

Lula Grelhada com Arroz da Tinta