quinta-feira, 18 de junho de 2009

Jogo Sujo



A manchete diz: Os brasileiros nao querem jogar em Israel!
Deveria ser assim: israelenses nao podem jogar em sua própria terra, a Palestina!
Sou contra manchetes tendenciosas, mas a favor de um bom jogo, limpo, honesto, como deveria ser não apenas no futebol, mas também na politica. Essa tática de estado de se usar esportes como símbolo de poder não é nova, os romanos jogavam os judeus aos leões, os argentinos usaram seu estádio como presidio e centro de tortura. O que poderia causar um simples jogo de dois times brasileiros em Ramalah? O esforço de se manter no poder pode levar o PT a um nível de trapalhadas diplomáticas comparável aos filmes de Chaplin, o Grande Ditador. E só olhar o jornal de hoje, pena que o Borat nao estava no Kazakistan para entrevistar o Lula.

Em 2004 o Brasil levou dois times de futebol e suas delegações para o Haiti. Nessa mesma zona de guerra, soldados brasileiros serviam nas forças da ONU. A idéia desse tipo de evento poderia servir como um modo de atrair para as tropas da ONU a simpatia da população, aliviando o terror de uma guerra de guerrilhas prolongada. Nos anos 80, no Iraque de Sadam eram disputados jogos antes dos enforcamentos, durante a guerra, sob bombardeios...A magia do futebol, e do dinheiro que envolve essa atividade, enfeitiça as pessoas e ajuda a alienar ainda mais os pobres. Afinal o sonho de qualquer garoto pobre, que só tem uma bola para brincar, as vezes de pano, e ser o Ronaldo, Dentuço, ou uma dessas celebridades, um artista da bola. Antigamente os garotos queriam ser presidente, agora querem ser Kaká ou Maradona...

A intenção desse projeto marketeiro político populista, típica idéia do PT, e sua idealização em termos de local do " jogo", condizem 100 por cento com a ideologia lulista pro-iraniana e dissimuladamente anti-americana, anti-israeli bem em cima do murex, papo de intelectuais de esquerda tomando um chope no Bracarense. So acho, como judeu-israelense-brasiguaio, uma sacanagem, falando em termos jornalísticos, esse tipo de manchete irresponsável. Ainda bem que no Brasil já decidiram que para ser jornalista basta ter o curso primário completo...de qualquer modo em Israel os jornalistas de la demonstram sua ignorância ao tentar explicar o caso, como se esse projeto fosse um evento de marketing, um mero show que os israelenses tem direito de assistir!! Será que ninguém la ainda se tocou que o governo brasileiro, assim como uma boa parte de seus habitantes demoniza e condena Israel...mas vivem num pais onde nível de corrupção e violência são muito maiores que em todo o Oriente Médio. Onde a pobreza grassa e juízes, senadores e deputados rateiam o poder??

Na verdade, existe um absurdo consenso midiatico e institucional, em grande parte dos meios e no governo que enxerga e classifica Israel como uma potência bélica, apoiada pelos americanos, toda essa baboseira que a gente já cansou de saber e que nao se sustenta. E acho que essa postura do ministério das relações exteriores reflete a posição ainda pouco clara de Israel no conflito que existe na região, no novo jogo proposto pelo Obama, novo atacante americano. Israel tem que deixar mais claro que é um pais independente, com uma essência Ética milenar e deseja viver em paz. Mas com garantia de que vai poder continuar existindo como um pais livre, aberto para os judeus.
Aparentemente pelo discurso de Bibi, nada muda, não existe a menor condicão de se jogar com adversarios como os atuais, pois esses mesmos fazem opções agressivas demais...Um jogo limpo somente será possível quando os povos da região reconhecerem o direito de Israel de existir, e passarem a educar seus filhos sem o ódio, sem contestar o direito dos judeus de viverem em paz ali e no mundo. Isso ainda nao garantem nem o Brasil, e nem os palestinos. Vale lembrar que o futebol em Israel é um esporte levado a serio e muitos jogadores são arabes-israelenses. Quando jogadores de Israel puderem jogar sem ter medo em Ramalah ou em Gaza, saberemos que os árabes finalmente aceitaram conviver em paz.

Sergio Nedal Riss, aka Zcharia Halevy

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