domingo, 6 de maio de 2007

Somos de Paz!


Por incrível que pareça, os povos do deserto de origem árabe, de onde saem os lideres de movimentos terroristas da atualidade, eram considerados os cavaleiros do mundo civilizado da época na Idade Média. Com suas modernas cidades muradas, seus sultões e califas, assim como já haviam feito os egípcios e persas, confiaram seus nobres doentes a médicos judeus, e suas finanças a habilidosos contadores e prestamistas* judeus. Os judeus viveram assim, mil anos entre os árabes na Espanha e em outros países muçulmanos como a Turquia, Iraque, Egito, Síria e Líbano, antes que se criasse o conceito de estado moderno.

Esse conceito social novo, chamado de Estado, permite uma vantagem competitiva para seus habitantes, não mais ligados apenas por laços étnicos, ou por um reinado, mas por fronteiras físicas. No entanto, essa forma de organização geo-politica traz um novo fenômeno nocivo para a sociedade, o terrorismo estatal. O poder do homem sobre o homem, dominando seu semelhante através da força e da coerção moral. Outras novidades trazidas pelo desenvolvimento das cidades estado, e um bom exemplo do dano que pode ser causado pelo monopólio de uma idéia nova e positiva, foi o surgimento da imprensa. Da mesma maneira como Santos Dumont abominou o uso do avião para a destruição, Gutemberg jamais poderia prever o uso nocivo feito pela Inquisição em jornais como o Observattore Romano, de propriedade da igreja. Durante séculos e enquanto duraram os estados papais, esse jornal trazia em suas edições desenhos caricatas de judeus, mostrando-os sempre de maneira pejorativa e textos contando casos fantasiosos. As inúmeras publicações de casos mentirosos e fraudes sobre sacrifícios de sangue realizados em festins diabólicos, são um exemplo do uso indiscriminado da criatividade humana a serviço da demonização de um povo, a invenção da Roma Cristã, agora mais recentemente no século 21 em uso pelos movimentos revolucionários fundamentalistas e todos os insatisfeitos de plantão inclusive a assim chamada esquerda festiva no Brasil.

O movimento anti-semita foi criado por padres da Santa Inquizicione e entidades como Opus Dei, cujas idéias elaboradas durante anos de experiência com a divulgação massiva através das paginas dos jornais romanos, idéias que contribuíram anos mais tarde para a doentia doutrina nacional-socialista. O trabalho feito pela imprensa papal contra os judeus, serviu como base para a criação centenas de anos mais tarde, de uma sociedade européia burguesa, oprimida por seus dirigentes belicosos, dispostos a dominar o mundo. Como podemos perceber, da mesma forma se utilizam palavras de ordem hoje, inspiradas em doutrinas religiosas, mas que de religiosas não tem nada. Um verdadeiro populismo fundamentalista, uma nova forma de nazismo que pressupõe uma igualdade de culto e credo para todos, exceto para as mulheres. Essas mesmas idéias surgidas de uma nova religião criada por idolatras em Roma, com o intuito de dominar o mundo e converter a todos, considerada por seus seguidores como aquela que traz a esperança e misericórdia, contrariamente servem para incendiar e incitar o ódio aos judeus, ciganos , homossexuais entre outros, tudo o que é considerado impuro aos olhos dessa obtusa visão que sugere o bem e o mal como forças separadas. A cultura do pecado.

Esse movimento ajudou a moldar o nazismo, a tal ponto que a própria igreja católica apoiou oficialmente o início do fascismo europeu, negando o fato posteriormente. Da mesma forma, parece incompreensível que todo um movimento baseado numa religião, como vemos em grande parte do Islam, possa sugerir a seus seguidores que o inimigo seja um outro povo. E mais absurdo ainda, classifique como mártires e se orgulhe de pobres coitados que acreditam e cometem atos de terror, matando inocentes, mutilando e ferindo milhares de seres humanos. Todos são filhos do mesmo Criador e a maioria das vitimas do terror hoje, seus irmãos, em casos como no Iraque e Afeganistão. Trocando em miúdos, nem Israel, nem a Europa, nem os USA, ninguém e culpado pela pobreza e isolamento dos povos na região do Oriente Médio, assim como em todos os países onde se segue a doutrina fundamentalista dos aiatolás.

O xiismo contemporâneo se analisado historicamente, pode-se perceber uma corrente de conflito, que se desencadeia desde a morte do profeta Maomé. Povos da mesma origem ancestral, disputam dentro de suas próprias famílias e são divididos em grupos e seitas que se odeiam e se combatem, vide novamente as explosões dentro do Iraque. São doutrinas políticas onde os pregadores são travestidos de religiosos e onde a revolução serve para libertar os infiéis. Marx tinha razão quando afirma que a religião é o ópio do povo, toda religião que não traz dentro de si o conceito de liberdade individual, o livre arbítrio, é realmente uma droga. Para azar de Marx e nossa sorte, a Torah não mudou para se adaptar, como fizeram todas as outras religiões monoteistas. O comunismo acabou, mas sua mensagem de terror ficou. Oi vavoi, imaginemos todos iguais, comendo a mesma comida enlatada, usando as mesmas roupas e vivendo em cubículos, enquanto os nossos lideres vivem em palácios, e mandando a gente para a Sibéria. O Islam me parece a mesma proposta, muitas vezes.

Para entender melhor, existe uma diferença muito profunda e intransponível entre a cultura moderna ocidental e o mundo antigo. Em algum lugar a idéia de um novo mundo geográfico, coincide com a antiga concepção espiritual judaica do Olam Haba`a. Nesse mundo do futuro, todos viverão em paz. As pessoas perceberão em algum momento, que não precisamos acumular riquezas para sobreviver e a melhor coisa que podemos possuir, além do ar , que por sabedoria infinita divina é grátis, somos nós mesmos. Nossos filhos, esposas, maridos, pais e irmãos, com saúde e paz, isso é tudo o que precisamos para poder sobreviver. Todo o resto é supérfluo.

O judaísmo e a religião judaica surgiram historicamente antes das outras religiões, mas apesar do islamismo e cristianismo serem oriundos da mesma cultura e região geográfica que os hebreus ou judeus, existe um fator que não pode deixar de ser analisado, e que determina o abismo existente, a grande diferença no pensamento judaico. O conflito que vivemos hoje pode ser gerado pela disputa por ocupação de terras, por diferenças sociais profundas, pela pobreza e isolamento na qual se encontram os habitantes de algumas republicas islâmicas e suas ditaduras fundamentalistas, mas no âmago da questão, na filosofia de vida e no modo de pensar pode estar a resposta (se é que existe) para o problema. Essa resposta serviria para todos os conflitos, inclusive os daqui, do PCC e outros grupos terroristas que possam surgir: o modo de compreender a vida. Pode parecer uma colocação simplória, mas nessa pequena diferença, estão contidas todas as diferenças. Vou tentar explicar, não sei se conseguirei.

A Torah, o Pentateuco, conhecida como Bíblia Antiga, ou Antigo Testamento, traz um guia útil para a vida de toda a humanidade. Esse Guia Supremo conta a historia das gerações desde Adão, ate a morte de Moisés, o ultimo grande profeta. Numa leitura mais profunda, a interpretação mística das escrituras, segundo o livro do Zoar ou Esplendor traz uma visão cabalística e tem feito muito sucesso entre pessoas das mais diversas origens, não necessariamente judeus, mas um publico procurando esclarecimento para suas duvidas mais profundas.
A essência desse problema, esta enraizada na cultura, portanto profunda demais para ser mudada. A única mudança possível seria, se houvesse uma transformação radical no pensamento dos clericos a favor do judaísmo, independente das questões econômicas que estão por trás da briga pelo domínio dos pontos e da exploração do petróleo. Assim como na época dos padres inquisidores, os mulas e sheiks fazem a cabeças de mais de um bilhão de pessoas espalhadas por todo o mundo. Atinge agora com seu ódio a humanidade e transformam uma pessoa comum num monstro disposto a se explodir e matar inocentes. Na verdade, essas pessoas, manipuladas por seus lideres religiosos, dentro de suas famílias, enxergam através de uma ótica distorcida que considera todos os que são diferentes, e não seguem o profeta Maome, ou Ali, como seus inimigo e opressores. O outro, o diferente. Esse e o problema. O outro lado, o desconhecido e o medo do desconhecido.

A cabala entretanto , vem ensinando o homem a compreender esse fenômeno e deixar de atribuir ao outro suas mazelas. De acordo com a fé judaica, o bem e o mal, são forças do mesmo Criador. O judeu praticante confia em D`us e acredita que Ele é único e que os outros seres, todos são criaturas do mesmo Criador. Quando pensamos diferente de todos os outros povos, com essa visão universal que engloba o bem e o mal, percebemos através de uma analise critica que o verdadeiro inimigo esta dentro de nossa própria mente, e sendo assim não podemos considerar fatores externos culpados de nossos problemas. Os outros não tem culpa, e sim nos mesmos. Alias, o sentimento de culpa quando exteriorizado, pode destruir, mas não resolve o problema. Citando o escritor Amos Oz, cuja obra nada tem de religiosa, mas de uma profunda e enraizada ética judaica, compara Israel e os palestinos como uma família enorme disputando a herança de um quarto e sala, construído num terreno de uma terceira família. Se pudéssemos usar a Torah como escritura definitiva, teríamos outro tipo de situação, muito mais favorável aos judeus e talvez não tivéssemos sofrido perseguições e pogroms durante os últimos séculos. O povo judeu só adquiriu respeito e um lugar entre os povos quando ocupou sua Terra. Se a volta a Israel foi fruto das perseguições ou de um movimento criado por judeus laicos e inspirado nos movimentos nacionalistas da época, não poderemos afirmar com certeza. O que é real hoje, que judeus e árabes e outros descendentes de tantos povos convivem dentro de um Estado criado para ser um estado para os judeus. Esse Estado, apesar de ser parecido com a nociva idéia do Estado, pelo fato de ter sido criado por judeus perseguidos e fugitivos , fez com que se transformasse no primeiro pais moderno da região, onde se respeitam os direitos humanos e onde a vida de cada um , independente de sua origem ,credo e cor, tem alto valor. Se esses novos habitantes judeus fazem parte integrante de sua Terra hoje, foi por mérito de sua cultura ancestral. Se esse pequeno pais merece existir hoje, sera por mérito de nossas raízes culturais que nos permitem rir de nossas próprias mazelas.

Como já citei, essa diferença na forma de pensamento vem gerando perseguições desde que a igreja romana surgiu. Olhando agora pelo lado psicológico da coisa, muitos psicanalistas e outros malucos que acreditam poder curar a alma do próximo, afirmam que todos os problemas psicológicos característicos dos judeus, especialmente a negação de suas origens, seja um problema sexual, gerado pela opressão materna e ausência paterna. Discordo dessa teoria e ouso dizer que o maior problema do judeu foi criado pela figura indecente de um outro suposto judeu seminu pendurado numa cruz. Essa sensação de culpa externa, inexistente na cultura ancestral judaica, acaba se sublimando de tal modo que os jovens judeus assimilados procuram moças cristãs numa tentativa de negar suas origens, ou compensar os pobres cristãos. Considerados pelos sábios da Torah, como sendo ambos de origem divina, o mal e o bem são aceitos como provação. Um dos sábios da época da Guemara, conhecido como Nahum Ish Gamzu, dizia gam zu le tova, (também, isso vem para o bem), ao se referir a um acontecimento negativo. Como esta escrito no tratado de Berachot (bênçãos) do Talmud Babilônico: temos que abençoar o mal assim como o bem. Ou seja, quando nos acontece algo de ruim, sabemos compreender nosso desígnio e se conseguirmos conquistar coisas positivas , terá sido por nosso mérito exclusivo. Acho que precisamos ensinar um pouco mais para o mundo nosso incansável bom humor judaico...

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