segunda-feira, 14 de maio de 2007

Em nome de quem?

Antes de publicar este blog, mandei os textos para alguns amigos e antigos colaboradores. Muita religião, disse um deles. Como jornalista e judeu, pluralista e mais "materialista", acho que captou uma parte do tema. A falta de conhecimento mais profundo nos assuntos da Torá, pode afastar as pessoas de um caminho mais espiritual, imagino. No entanto, pensando como um rabino ortodoxo, na maioria dos casos, sem generalismos, a formação para a educação dentro do judaísmo religioso atual não exige um questionamento muito profundo sobre o verdadeiro papel da Tora e sua adequação aos tempos de hoje. A ortodoxia, em suas diversas correntes, trata da ligação do povo sob uma perspectiva fechada, de dentro para fora. E o Criador, através da sua Luz Infinita, age de fora para dentro e em todos os sentidos. Fica muito difícil, para um judeu observante que vive dentro de um shteitl mental, mesmo os que vivem em grandes capitais, pensar em termos de mundo em geral. Um estudioso da Tora estará tão preocupado em seguir todos os mandamentos da melhor maneira possível, com temor e amor ao Criador, mas muitas vezes perdendo contato com a realidade. E isso acontece em todas as formas de atividade humana. Não apenas em coisas que teoricamente fazem parte de nossas vidas, nossa ligação com a vida. Ele nos inseriu neste mundo e nos deu uma chama que não sabemos explicar. E podemos como todos os seres humanos encontrar as maravilhas por ai. Mas ninguém, nem um ser humano pode sair por ai afirmando publicamente que esta ou aquela é a versão definitiva da Torá, e que existam explicações plausíveis e humanas para os milagres do nosso dia a dia. Da mesma maneira não se deve exagerar em nada, nem torcer demais por um certo time, perdendo o verdadeiro sentido do esporte, que não esta na competição.

Essa imposição fundamentalista de ser única, melhor e absoluta, levando seus integrantes a uma verdadeira lavagem cerebral, existe em todas as religiões materialistas, fascistas, nazismo e marxismo, cristianismo e islamismo e todos os ideologismos, que não são absolutamente monoteistas como querem muitos estudiosos cristãos e islâmicos em geral. Monoteísmo se refere ao Deus de Todos, que estava antes do homem, sem nenhuma condição ou ismo. Esse e o grande bilbul que o mundo vive hoje. A Torá, Luz pura e energia fascinante, concede ao ser humano o guia para uma possibilidade de vida mais justa, com amor, não prega uma idéia fixa que privilegia um grupo especifico, como se pode pensar. Talvez muita coisa da ideologia e do pensamento clássico e chassidico tenha ficado fechado, inacessível para os simples mortais. Podemos agora, nestes tempos de cultura cibernética, através do estudo e discussão das fontes, descobrir nossa vocação. Nesse turbilhão de acontecimentos e fatos, podemos perceber através de uma constatação simples que não somos nada, apenas simples humanos. Em seu melhor resumo, seguir a Torá, apenas nos ensina a não fazer aos outros os que não queremos que nos façam, antes de tudo. E cada um, no seu cada um.
Em sua origem ancestral, tão antiga que transcende o tempo material, a Torá de Moisés nos foi dada para criar uma morada para D`us na Terra. Não para criarmos deuses novos, humanos, de sangue e carne, mais poderosos que o próprio Criador e que possuem poderes extra terrestres. São apenas mais palhaços nazistas fantasiados de papas, falsos profetas e seguidores-bomba. Usar Mickey e a TV para ensinar os jovens a odiar gente que eles nunca terão a oportunidade de conhecer, esta na mesma proporção de ignorância que achar poder dar certo uma igreja que foi inventada para justificar a destruição de um império, mas mantém suas tradições imperialistas até hoje. Tão absurdo como um sujeito denominado rabino pedir uma benção para alguém que provavelmente ainda tem cheiro de sangue em suas mãos. Todas as religiões dominantes de hoje, sua intenção final esta a de dominar o mundo, ou seja = nazismo. Seus líderes são políticos astutos e corruptos envoltos nos governos onde ainda se permite tal intromissão. Podemos observar o fenomeno relacionado diretamente com a necessidade de se manter determinadas camadas no poder. Sempre. Como se pode perceber, onde existe um pouco de acesso a informação, os homens já não se deixam enganar.

Fica muito difícil, do nada, combater a difamação dentro do islão de hoje, que tem a intenção clara de detonar uma guerra sem precedentes, uma Cruzada Nuclear. Mas da mesma maneira que o matuto e sua família na fazenda no interior de Minas não precisa mais sair de sua terra para saber que os outros vizinhos são seres humanos iguais a ele e que não precisa ser um seguidor de alguma doutrina para ter acesso a chuva por exemplo, imagine-se qual seria a sua reação ao assistir uma mentira deslavada mostrando judeus seqüestrando uma criança, sangrando para fazer matzá, no mínimo eles achariam que se trata de uma comedia dos Trapalhões, mas muito mal feita. Aonde quero chegar, um pouco de cultura geral, para os mais humildes pode ajudar muito. A mudança terá que vir de dentro dessas grandes religiões, com o inevitável caminho da sabedoria e com sua consequente falência. Como aconteceu com o comunismo brutal que matou mais gente que o nazismo e que no entanto, mesmo tendo acabado como movimento social pela própria comprovação de que o homem jamais poderá dominar outros, muito menos em nome de alguma coisa ou causa inventada pelo próprio ser humano. Seria o mesmo que um mundo governado por reis e escolas de samba. Absurdo mas existe até hoje. Assim como ainda existem nazistas e gente que acredita em encarcerar, isolar ou matar os outros para conseguir uma sociedade melhor. Por essa razão, ainda sentimos dificuldade em distribuir a renda e fica mais fácil jogar a culpa da violência urbana no tráfico de drogas e prender todo mundo que use boné e óculos escuros. Ora, somos tão hipócritas e tão violentos com nossas prisões cheias de jovens negros marginalizados por uma igreja branca racista, de santos bonzinhos que sempre ensinou a odiar os que não são cristãos. Não adianta agora se arrepender. Tem que mudar. Infelizmente não temos paz ainda nesta vida para poder desenvolver a ligação do homem com o Criador, uma religião pura e simples onde o assunto é muito mais pessoal, voltado para a meditação sobre nossos problemas, para que através da pratica seja possível alimentar o corpo e o espirito. Antes de mais nada, este seria o papel da Tora, como esta escrito: sem Torá, não tem farinha. Sem farinha, não tem Torá. Todos estão errados e ninguém percebe. Não se pode mais misturar cultura com poder em nenhuma circunstancia, muito menos a cultura humana baseada na palavra divina.

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