quarta-feira, 9 de maio de 2007

Detonando a Historia

Nunca fui bom aluno, em geral. Mas em História e Redação me saia bem. Cheguei até a ganhar um prêmio de literatura infantil nos primeiros anos do curso primário, com uma redação criativa sobre um indiozinho que desce o rio numa canoa. Era uma redação livre, na época chamavam isso de estória, depois mudou por causa da reforma ortográfica. O que alguns poderosos líderes politicos e religiosos de hoje tentam fazer com a História da Humanidade, parece reduzir o passado a uma simples estórinha, uma lenda.
A lenda do povo judeu que nunca existiu como uma nação soberana em sua terra natal.
Estudei no Scholem Aleichem, em SP nos anos 60 no século passado e para quem não sabe era um escola ligada a um curioso movimento judaico, anti-sionista. Sim, existem judeus anti-sionistas.
Esse movimento, o Bundt era comunista e idishista, em algum momento na época áurea de Stalin pretendeu criar um Estado Judeu num lugar chamado Birobidjan, perto da Sibéria. Nada agradável essa idéia...pensar em Stalin depois de haver passado alguns anos compartilhando as roupas e outros bens num kibutz, me traz a desagradável sensação de um mundo dominado por regimes autoritários.
Viver no kibutz foi o suficiente para conhecer um pouco do regime e descobrir que só pode querer ser comunista, quem nunca viveu em Cuba. E olhem que era fã do Che. Realmente me decepcionei ao descobrir recentemente que o ex-companheiro Fidel entregou nosso ídolo. Se soubesse, acho que nunca teria sido comunista, mas quem nunca foi tolo, dizem, jamais será sábio. Sorte nossa que essa idéia de ditadura do proletariado só era válida quando os judeus eram proletários na Rússia. Alias, nasci no dia da Revolução Bolchevique, 7 de novembro. Quarenta anos depois. E a idéia de existirem judeus anti-sionistas, seria bom que se explicasse, antes de mais nada, onde existem dez judeus, são onze opiniões diferentes. Judeus são um povo ancestral, como os gregos, egípcios e outros cujas tradições mudaram, mas não abriram mão de seu território, como fez Israel, e assim conseguiram preservar sua identidade nacional. Viver num mundo moderno como hoje, sem uma identidade nacional, sem um passaporte, parece inconcebível.
A identidade nacional judaica, após a destruição de Jerusalém no século I pelos Romanos, ficou condicionada ao cumprimentos dos mandamentos escritos no texto sagrado da Tora e as leis que poderiam ser cumpridas fora da Terra. Infelizmente, com o passar dos séculos no exílio, os judeus foram se assimilando de maneira mais rápida a medida em que se assentaram em países mais liberais, principalmente na Europa desde a Revolução Industrial.
Judeus assimilados como Marx e Engels, inspirados em alguns conceitos judaicos, participaram da criação ideológica de movimentos populares como o bolchevismo. Por incrível que pareça, sem saber o que viria pela frente, alguns banqueiros judeus apoiaram o nacional-socialismo em sua fase inicial.
O judaísmo, diferente dos outros povos cuja religião é o pilar da estrutura moral e referencia das normas de conduta, permite essa pluralidade de opiniões e expressões. Temos judeus ateus e ultra-religiosos, mas nenhum deles deixara de defender ate a morte se preciso, o direito de seu próximo. Ser judeu significa a união de diversas tribos e correntes em torno de uma mesma idéia. Um estilo de vida que permite ter diversas bandeiras num mesmo acampamento. Essa sensação de harmonia dentro do caos diário, uma difícil disciplina, indispensável para a missão de trazer um pouco dessa luz para todos os povos.Essa luz seria a cultura e o conhecimento, respeito, justiça social e paz. Imaginemos o Mundo Vindouro. Acho que John Lennon andou estudando cabala antes da Madona. Esse conceito de liberdade individual, com responsabilidade geral, difere de todas as outras civilizações antigas e modernas, onde a lei e os estatutos são propriedade do Estado. O monopólio do poder. O judaísmo não pressupõe um estado, na forma moderna, apenas um reinado que foi extinto e pode vir a ser restabelecido algum dia em Jerusalém. Dai existirem alguns judeus que se opõe politicamente a essa forma de regime. Seria possível se viver em paz árabes, judeus, se todos pensassem dessa maneira anti-territorialista, digamos. Essa cultura se move junto com o povo, sendo guardada pelos descendentes e infinitamente preservada , cada vez renovada e rescrita apesar das perseguições e mesmo sem um território. A Torá fala contra todo e qualquer abuso de poder de um homem sobre os outros. Já vimos esse filme na Alemanha mas a humanidade continua a seguir essa mesma trajetória de erros.
Mesmo se opondo, a fraternidade e os laços de família que nos unem, aproximam os judeus do mundo todo, em torno da defesa de Israel. No judaísmo não existe um líder único, uma opinião humana que prevaleça, valendo apenas os costumes derivados das tradições religiosas que o povo mantém. Existe uma tensão entre os diversos ritos e correntes religiosas judaicas, e uma verdadeira luta para preservar essa identidade, dentro de um mundo globalizado.
Através dos movimentos culturais sionistas, laicos e religiosos de diversas linhas mais ou menos ortodoxas existe o intercâmbio com as outras inúmeras comunidades judaicas para garantir a existência de nossa pequena comunidade local. Nossos sábios ensinaram a arte de não falar mal do outro, e sequer pensar negativamente sobre outra criatura. Nem rir quando nosso inimigo tropeçar.
Esses aspectos das lei da Tora, não dependem de um território e sim da integridade e união em torno de uma cultura multifacetada, comum a todos. Fica fácil de entender se assumirmos que a Torá, escrita a milhares de anos serve como escritura definitiva de posse da Terra Prometida, que fica em fronteiras no mesmo lugar no Oriente Médio, muito alem dos limites de hoje, mas somente será de direito do povo se sua maioria cumprir e viver de acordo com esses valores.. Estrategicamente devolvemos no limite do que seria seguro, e mesmo assim, com o risco que hoje aparece, somente obtivemos acordos espúrios, que aparentemente pelo que dizem os especialistas em estudos islâmicos, apenas servem para dar tempo ao tempo e ajudar a formar mais terror e ódio.
Na opinião de um dos lideres espirituais mais importantes desta geração, o rabino M.M. Schneerson, de um movimento chassídico considerado anti-sionista, se existem judeus vivendo em Israel, sionistas ou não, parlamentaristas ou republicanos, comunistas ou liberais, etíopes, russos, marranos, americanos, precisamos defender as fronteiras e assegurar a paz. Isso significa sobrevivência acima de qualquer coisa.
A vida prevalece, mesmo antes das considerações políticas. Aqueles membros do povo judeu, que tiveram sua identidade nacional trocada a ferro e fogo, oprimidos fora de sua terra natal, estão agora de volta a seu lugar de de origem. Tem o direito e o dever de se necessário for, violar o sagrado mandamento do Shabat( Dia do Descanso) e sair para a guerra contra a ameaça que mais uma vez nos atinge. Fomos perseguidos pelos Egípcios, Assírios, Persas, Gregos, Romanos, expulsos de Jerusalém e durante séculos impedidos de voltar pelos turcos, otomanos e ingleses. Sempre procurei mais justiça social e o respeito pela natureza, pelo próprio ser humano em geral. Procuro e defendo a verdade dos fatos. Achar que o judaísmo e apenas uma religião, assim como as outras, que se baseiam em mitos de profetas, e poderia existir apenas em mesquitas e igrejas, totalmente desvinculada de uma tradição nacional-territorial, esta enganado. Os judeus nunca pretenderam dominar o mundo como parece que tentam outras religiões. Muitos judeus são contra toda e qualquer idéia de um estado capitalista neo-liberal em Israel. Essas correntes que se opõe ao status-quo atual, pretendem apenas voltar a ser um povo dedicado a estabelecer um reinado de paz, e reconstruir o Templo em Jerusalém.
O povo judeu, em sua maioria, deseja apenas Paz para todos. Mas para isso, deve entrar num entendimento entre suas diversas tendências, especialmente no que diz respeito a sua forma de representação oficial. O que realmente enfraquece Israel perante seus inimigos, neste momento, são as próprias divergências entre as grandes e diversas comunidades, todas elas devidamente representadas hoje na Terra Santa.
O povo judeu, por conta de suas inúmeras tendências políticas e religiosas internas, acabou sendo refém dentro de sua pr´pria Terra. Considerando a máxima dos sábios ‘o povo de Israel são avalistas uns dos outros‘, o povo como um todo se tornou avalista de uma guerra de potências econômicas interessadas em controlar seus esquemas de comercio, principalmente no que diz respeito ao controle do escoamento do petróleo para os portos do Mediterrâneo, questão estratégica para o abastecimento dos maiores consumidores desse mesmo produto, os americanos. Acho que já chega dessa tentativa de massacre da história da Humanidade. O judaísmo da Torá, se baseia numa tradição escrita e oral documentada há mais de 3000 anos. Manuscritos em aramaico cuneiforme e hebraico original, foram encontrados recentemente e segundo técnicas modernas de datação, seriam de 540 AC. Os pergaminhos que foram achados em Qumran, no Mar Morto, junto com tefilin, os filactérios, e outros utensílios, trazem trechos de Salmos, Isaias e de Moisés. São de épocas diferentes, mas se referem ao mesmo povo. Podem questionar se Moisés existiu ou não, mas seus textos escritos no deserto milhares de anos atrás, continuam fazendo o maior sucesso. Tanto sucesso que querem acabar com o original para poder cobrar mais direitos autorais e territoriais.
E a melhor maneira de acabar com alguém, difamando. Como fez a Igreja, que conseguiu através de séculos de publicações nos seus veículos de imprensa e em seus sermões, trazendo sobre nossas cabeças o horror das fogueiras dos autos-de-fé em Torquemada, e depois o nazismo. Nunca nos vingamos, nem de de uns, nem de outros. Agora temos o pan-islamismo e o terror, pela mesma forma de contato: a palavra. E será que devemos nos calar agora? O revisionismo que assola o mundo, quer ignorar o reinado de Davi e Salomão, os Salmos e todos os outros livros atribuídos a pessoas reais, que existiram, viveram e prosperaram numa região durante milhares de anos. Esse revisionismo nega fatos fartamente documentados e reais como a Inquisição e o Holocausto onde morreram mais de 6 milhões de judeus, e outros tantos milhões de seres humanos, entre eles os doze irmãos de minha avó materna. E ainda o ensina nas escolas, na TV, jornais e nos sermões em pleno século XXI, fazendo a cabeça, fomentando o ódio. Num disfarçado intuito de proteger seu rico petróleo das garras afiadas dos interesses econômicos que estão por trás desse sórdido enredo. Uma falta de respeito pelas almas das famílias enterradas em covas comuns, cremadas em fornos. Querer apagar a história da Humanidade, esse é o verdadeiro crime. E desse crime são cúmplices o Iran, a Síria, e todos os outros países que sugerem uma atitude contra um membro estabelecido da ONU. Aproveito, já que estamos falando sobre esse mesmo tema, creio que o mundo tem que acordar para o perigo do neo-imperialismo econômico exercido pelas grandes potências. Sob o pretexto de derrubada de governos perigosos, acabam sendo tão trucluentos como os mesmos.E essa perigosa brincadeira que já vimos por aqui no Brasil em 64, no Vietnã, Chile, Uruguay, Argentina, esta agora no Iraque, apenas aumenta o ódio terceiro-mundista e dos obsoletos dinossauros marxistas, pelos americanos e europeus.
Temo agora pela segurança das comunidades judaicas nesses lugares, pois apesar de existirem grandes interesses econômicos de origem judaica, politicamente para nossa surpresa, não revertem diretamente para as comunidades judaicas como imaginam. Somos um povo pobre com alguns muito ricos. Durante a Segunda Guerra, os judeus já viviam nos Estados Unidos com muito sucesso e possuíam mais poder que hoje. Mesmo assim, os americanos , sabendo que existiam atrocidades, deportações em massa e campos de extermínio, somente entraram na guerra ao serem atacados, e depois dos ingleses e russos terem feito uma boa parte do trabalho. O jornal The New York Time, de capital judaico, apesar de possuir informação de repórteres que estiveram na Europa e documentaram em texto , fotos e filme, sequer publicou uma linha durante muito tempo em que duraram as perseguições aos judeus , durante os anos que antecederam o envolvimento de tropas americanas na Europa. Os americanos sabiam que os judeus eram levados em trens para o abate. Por que razão , apesar de dominarem a tecnologia localização e bombardeio aéreo, seus B-52 nunca bombardearam uma linha de trem? A história do Povo Judeu, pode tão real quanto a dos romanos. No entanto ninguém questiona o direito dos italianos de comer seu macarrão em paz, e ser italiano na Itália e no Brasil. Com direito a passaporte extensível a seus descendentes, como fazemos hoje em Israel. Aqui no Brasil, por exemplo, pais de resquícios ditatoriais, os estrangeiros como eu, mesmo sendo empresário e pagar um monte de impostos, não tem direitos, apenas deveres. Tente renovar sua carteira de estrangeiro vencida e conheça o interior dos porões da ditadura, ao vivo e a cores. Com direito a sujar os dedos e ser fichado como estrangeiro, o que por si só já é bastante desagradável.
Principalmente para quem tem filhos brasileiros. Ou seria Brasilianos? Já que o pai é estrangeiro e não um cidadão, deveria ter outro nome. Até a dona da padaria, de origem espanhola, como todos os milhões de imigrantes se sente inferior. Mesmo fazendo o melhor pãozinho da região. Apesar do pouco interesse pelas matérias mais complicadas nunca achei que fosse precisar saber matemática financeira ou logaritmos, mas quando descobri que para ser um bom soldado e fotografo, precisava poder ler as coordenadas de um mapa e entender a equação basica da fotografia, que é de primeiro grau, ou seja, exposição igual a intensidade vezes tempo. Acredito que a superioridade de Tzahal, o Exército de Israel, se deve ao alto grau de cultura do seu povo, não apenas os judeus, isso inclui os árabes beduínos e drusos que servem nessas Forças de Defesa. Israel conseguiu trazer para os árabes, mesmo aqueles que não prestam serviço militar, a possibilidade de obter educação de alto nível, saúde, lazer, salários e moradias muito superiores se comparadas com as condições em qualquer pais islâmico e ate mesmo em alguns lugares por aqui na América do Sul. Esse mesmo exemplo de esperança, o Estado de Israel não surgiu pela necessidade extrema de se realocar o que restou do povo judeu após o Holocausto na Europa. Isso é uma mentira que tentam fazer o mundo engolir. Israel surgiu depois de séculos de exílio de um povo. Surgiu agora novamente, numa versão moderna, porque o mundo precisa de um verdadeiro exemplo de liberdade.
Estão querendo apagar essa chama e não vamos deixar!
Precisamos lembrar sempre para que nunca mais aconteça.

Nenhum comentário:

Lula Grelhada com Arroz da Tinta