domingo, 6 de maio de 2007

Am Israel Chai!



Am Israel Chai!

O mundo todo é uma ponte muito estreita, e o importante é nunca ter medo!
Essa frase, do r. Nachman de Breslav, que empreendeu viagem da Ucrânia ate Eretz Israel numa época em que as trilhas eram cheias de perigos maiores do que os Clodovil de hoje. Essa expressão demonstra a confiança que lideres chassídicos das grandes comunidades judaicas da Europa depositaram no único e poderoso representante de todos os seres humanos. Onde foi que erramos, poderíamos perguntar agora.
Durante os anos posteriores ao Holocausto, passou a ser um consenso para muitos, que o tema da Shoah não poderia ser compreendido por esta geração e não existiria uma forma de perdoar. Muitas vezes questionados sobre as razões que poderiam ter levado a humanidade a semelhante tragédia, alguns dos lideres políticos e religiosos sobreviventes, optaram por reiniciar uma nova vida, e incentivar o crescimento das comunidades onde se estabeleceram.
Devemos lembrar sempre, para que esse fato não seja apagado e nunca mais se repita. A loucura e insensatez que ocorreu durante a Segunda Guerra, tem precedente histórico na Inquisição, nos pogromim e em tudo o que os judeus passaram nos países onde se estabeleceram, até no exílio no Egito. Acusações a este ou aquele fator religioso ou político poderiam ser feitas, fatos históricos podem ser questionados em seus detalhes, mas nada pode devolver nossos familiares, nem reparar perdas humanas.
Nestes últimos anos, especialmente após as intifadas, temos sentido uma onda de difamação contra o Estado de Israel. Não se trata de questionar fatos nem a História. Se trata de criar uma nova versão para uma historia , que será contada e ensinada em alguns países, para tentar depreciar os aliados americanos num conflito onde somos meros espectadores. Iniciada na mídia árabe e iraniana, essa cartilha rapidamente atingiu o Brasil. Com o recente conflito no Líbano, patrocinado pelo Irã, lemos e vimos na TV cenas antes impensadas no Brasil. Um gaúcho candidato a deputado esbravejando contra Israel, bandeiras queimadas, publicações de cunho anti-sionista, etc...
No entanto, não da para afirmar que exista uma tendência ou conotação anti-semita numa determinada camada social ou num segmento do povo brasileiro. Tenho ficado seriamente preocupado com a proliferação de acusações publicas de anti-semitismo, sendo feitas em nome de todo ishuv. Não pretendo criticar amigos de nenhuma das entidades, que são tantas. Recebemos boletins dos órgãos da kehila, cartas para os veículos e nos blogs, muitas pessoas emocionadas e acabam por criar uma polemica desnecessária, em relação a declarações que muitas vezes são feitas em mídias com muito pouco poder de penetração, apenas uma elite consegue entender quem é quem nesse caso. A maioria esmagadora no Brasil não dispõe dos meios para compreender esse tipo de questão multifacetada e esse tipo de corrente de pensamento anti-semita não faz parte da cultura daqui. Pelo contrario, temos muitos admiradores. Com a globalização, a própria cultura judaica se destaca e não precisa de melhor defesa. Algumas dessas pessoas e casos podem possuir relevância dentro da mídia local, ou não, mas acabam sempre lucrando com o nosso repudio. Nossa indignação se torna uma aliada do inimigo. Talvez devêssemos avaliar melhor nossas respostas, se é que alguns desses sujeitos sequer merecem uma resposta.
Como judeu e cidadão israelense, assim como todos os judeus, vivo fisicamente no Brasil e espiritualmente em Israel. Conhecendo os anseios de liberdade, o sincretismo e o verdadeiro caldeirão étnico que é o povo brasileiro, creio que deveríamos nos preocupar mais em reforçar ao máximo nossa participação dentro da comunidade maior. Integrando aqueles que desejem uma educação judaica e melhorando o estudo da historia e das tradições judaicas. Investindo mais em nossas tradições, movimentos juvenis e programas de intercâmbio com Israel, e com as outras comunidades. Captando mais recursos externos para ajudar também a melhorar as condições de alguns setores de nossa comunidade. Algumas questões tem sido relevadas, como a pobreza, o afastamento gerado pela não aceitação de casamentos mistos, cemitérios empobrecidos e a falta de um hospital judaico, escolas fechando, tnuot e sinagogas que necessitam de recursos externos para existir.
Os judeus do Brasil, assim como todos os judeus do mundo, ao contrário daqueles sábios de abençoada memória que somente possuíam o desejo de ir até lá, tem hoje uma cultura renascida e um povo reunido em nosso lugar de origem. Eretz Israel. Para quem não conhece ainda, vale a pena conhecer. Esta meio difícil arrumar lugar nos vôos, mas pelo menos, e por muito tempo, não precisamos mais temer!
Sergio Nedal Riss

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